terça-feira, 27 de agosto de 2019



A Impotência em três atos. 
Estamos preparados para impotência? 

At. 1 - O AMOR.

É fantástico como quase todas as respostas da vida estão dentro da impotência e sempre temos que lidar com ela, seja a impotência sexual pós termino de relacionamento, seja a impotência perante o amor, quando percebemos que o amor é um plano sem perguntas, só respostas e por fim, e talvez a que mais tenha me doído essa semana, é a impotência temporal, não temos tempo para viver tudo que queremos, e temos que lidar  com isso, o tempo é um só e nós, não temos controle, será que somos meros expectadores da vida ou em algum momento podemos bater o nosso pau (ainda que borrachudo) na mesa?

O amor foi o meu primeiro contato com a impotência, é sofrido, mas é libertador, entender que o amor não propõe questionamentos te tira a culpa da conquista (ou da perda). Quando alguém te ama, esta pessoa te ama, e ponto. 

O “Por que" é transformado no “porque”,  a pergunta se faz resposta quando percebemos que não depende de nós, você é impotente, você não vai amar alguém por que quer, e você não vai convencer ninguém a amar você, o amor é uma força, não um sentimento, ele acontece sozinho, independente, é um grão que brota, nasce e morre trigo, vive e morre pão.

Nosso primeiro erro é tentar controlar esse grão, dizer o que ele vai ser, manter a semente na ilusão, por mais que a gente compre, escolha, cuide, nunca se sabe ao certo o que vai brotar de uma semente, como será seu fruto, doce? amargo? dará frutos? se você não deixar a semente brotar, nunca saberá.

E as vezes o que brota não é o que a gente quer, as vezes o que nasce não quer a gente, e o porquê é simples, é por que sim, mudou, nasceu grão, viveu trigo e morreu pão, talvez para você isso não faça o menor sentido, mas isso também é algo que foge do seu controle, lide com seu pau mole.

Essa semana o Jarro (até bonito, com flores em alto relevo, e inteligente, muito inteligente) me bloqueou em todas as redes sociais existentes no planeta. Definitivamente as redes sociais levaram a síndrome do abandono para outro patamar, e esfrega nas nossas caras como as relações são descartáveis, talvez seja o tempo me mostrando que amores realmente terminam no escuro, sozinhos, e é nesse escuro, sem visão  que a castração froidiana vem a minha cabeça.  Para que me serve um órgão impotente? Quando eu não posso ver, Ainda tenho olhos?

Entre encontros e “des…", desde o lobo até a chapeuzinho, sinto que não consigo ter tesão em mais de uma pessoa por vez, talvez eu tenha um tesão monogamico ou eu só seja impotente, passei semanas sem sentir um formigamento ou uma vontade, todo beijo era meio seco, todo toque meio aspero, e a lembrança do jarro sempre me vinha em todos os momentos, me tirando dali, e me levando de volta para o meu desejo por um só, não sei estar com outro se ainda estou com um.

E assim eu terminei em um Pub Inglês, ao som de rock dos anos 90, com uma companhia do tipo "vão? vamos"  depois de vários encontros terminamos no meu sofá(melhor investimento dos últimos tempos), o beijo foi se acostumando ao meu, o corpo encaixando ao meu, a pele deixando de ser áspera a minha, talvez nos polimos ao ponto de ser bom, voltei a sentir meu desejo, quando ele para, me olha e diz: Desculpa, mas quando gosto de alguém, não acontece sexo assim.

Fui impotente, sem nunca ter sido de fato brocha e percebi algo, nossa impotência está na vontade do outro, na do jarro em me bloquear, na do outro em não querer, e esta vontade é instintiva, não depende deles também, quando se ama, não consegue ficar muito tempo longe, quando a pele acontece, não se consegue evitar o sexo, no final somos todos animais, e o amor está no mesmo lugar da fome, você sente independente da sua vontade.

No amor, os términos não geram a impotência sexual, geram impotência emocional, a nossa vontade acaba no querer do outro, e isso pode gerar a perda do desejo,mas esse desejo volta, com um PUB Inglês, um passeio no parque, um filme no sofá, ele só não quebra a barreira da falta do domínio pela vontade do outro, e temos que lidar com a impotência, independente de quantas pessoas estiverem envolvidas nesses quadriláteros.

Eu descobri que eu tenho uma impotência temporal, eu não consigo fazer muitas coisas ao mesmo tempo, amar por exemplo, só um de cada vez, posso começar a me entregar ao próximo sutilmente, e ver como tudo acontece, mas, isto não é uma regra, finalizando o texto eu ouvi uma conclusão muito mais inteligente que a minha…

- Eu? eu também não consigo fazer muitas coisas ao mesmo tempo, faço uma de cada vez.
- Mas você estava transando a três ontem!
- Opa, mas não eram dois atos, duas coisas para fazer, era dupla penetracão. (Falei que tinha que citar isso no texto, rimos muito, apanhei, mentira)

No amor isso de fato não funciona comigo, mas essa resposta me fez refletir minhas outras impotências, esse ano eu fui escritor, palestrante, advogado, dono de restaurante e um amador da arte, não consigo administrar todos estes EUS em tantos quartos diferentes, mas, se eu coloco todas minhas funções profissionais dentro de uma só cama talvez eu consiga administrar tudo, ao mesmo tempo, e no final, ainda ter prazer. BINGO! Genial.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

"Como usar aplicativos de relacionamentos?" ou "Como acontece o amor em 2015?”



Dá o play e  vem comigo….




No século XVIII, na Inglaterra, se teve início a revolução industrial, sendo marcada pelo grande salto tecnológico onde máquinas a vapor revolucionaram o modo de produzir. Se por um lado a máquina substituiu o homem, gerando milhares de desempregados, por outro baixou o preço de mercadorias e acelerou o ritmo de produção.

Talvez nessa moda da industrialização... Melhor, da informatização... através da própria terceirização.. Substituímos serviços humanos por máquinas, programas.. aplicativos. É nesse pacote que foi a paquera e o flerte, onde as maquinas evoluíram de tal forma que todo trabalho humano se tornou desnecessário, extinguindo a fase inicial do namoro, senão o próprio, e acelerou seu ritmo de produção, pior, baixou drasticamente o preço das mercadorias.

Após um período vivendo “the single life” e sem nenhum encontro relevante,  comecei a me perguntar, Como acontece o amor em 2015? Ainda existe amor em 2015? Existe vida após o Tinder?

Hoje você não precisa convencer a ninguém a namorar com você, nem a ficar, não precisa conquistar, temos vários aplicativos que de diversas formas podem proporcionar o relacionamento que você precisa naquele momento, seja sexo casual ou com compromisso,  eles  combinam seu estilo, sua forma física, seu tipo preferido e até sua renda mensal com pessoas que estão próximas ou buscando as mesmas coisas que você.

Para entender isso eu sai para balada com amigos, entrevistei eles, e conheci pessoas, mas claro que isso não seria o suficiente para entrar no mundo do flerte automático, eu precisava senti-lo, e assim instalei e criei um perfil para cada aplicativo, e claro, aproveitei experiências de manas e manos que estão navegando nesse mar de possibilidades bem antes que eu (sem expectativa nenhuma de salvamento ou naufrágio), todas relatadas minuciosamente para vocês abaixo.

Resumidamente se quer um Encontro com muito live no Brasil, Badoo e Tinder, se procura um green card,  Ok-cupid e Grimpes, se quer um encontro para sexo casual[muito fogo e lançamento de single] Blindr, se for gay, Grindr  e se quer celebridades e seguidores/seguidos do instagram entre no Instamessage (esse te possibilita “cutucar"e conversar com seus seguidos/seguidores do Instagram onde se encontra de  ex-bbbs à celebridades e todas as pessoas do insta, ali, como uma bandeja de canapés a serem escolhidos).

E até aí minha experiência se resume e frenéticas noites de baladas em SP, 95 matchs no tinder, 68 encontros no Badoo, 4 mensagens no Insta, E varias fotos pornográficas nos outros… Mas eu precisava de um gole de vida,  pois sentia falta de frio na barriga, de olhar para a pessoa e esperar aquele olhar retornar. Eu sinto, sinto falta do arrepio do toque inesperado e do desespero para tentar entender o significado, qual significado tem o primeiro encontro se já houve um Match, uma combinação, se as afinidades já foram eletronicamente calculadas e estão ali com o mero intuito de realizar um desejo suprimido, sem segredos, sem descobertas, com todas nudes expostas em fotos e prints?

Depois de um “match" ficar se torna obrigatório, ninguém precisa conquistar ninguém, a fadiga da obrigação faz pessoas como eu simplesmente perder o tesão, não tem sentido, cansa. Tem que ter aquele formigamento quase náusea, borboleta, sino, tem que sentir alguma coisa ou ouvir um sinal antes do plaft plaft plaft. Mas não, mesmo com seu lado lindo místico, seus bares cheios e pessoas vazias, e eu cheguei a conclusão que não existe amor em SP.

E entre os matchs descobri a pergunta mais pedida: 

  • O que você procura?

De onde me surgiu a resposta mais sincera: 

  • Procuro uma forma de terceirizar minha capacidade de flertar e evitar ter que me arrumar, sair para algum lugar que tenha que me divertir até encontrar alguém que seja interessante, se interesse por mim e me convide para sair.

O mais incrível é que de vários matchs só 3 responderam essa pergunta dos quais só um levou adiante e depois de dias ainda não tinha feito o convite, mas discutiu o tema, apresentou ao texto uma nova possibilidade, a mudança do amor.

O amor não é diferente das maquinas, ele é só uma evolução, ele não existiu no passado, e poderá não existir no  futuro, há poucas décadas os casamentos eram arranjados para obter lucro patrimonial, há centenas de anos a união entre as pessoas tinha o único objetivo da procriação, ou seja, se o amor foi inventado os aplicativos são somente uma evolução, um upgrade, uma nova forma de amar, e este amor do toque, da conquista, para a próxima geração não vai existir, e para nós, mero saudosismo.

Nessa altura, a única conclusão que restava era que a falência do instituto casamento levou o flerte junto para o buraco, as pessoas não queriam o risco de começar uma história com uma outra que não fosse um match, que já não estivesse previamente associada, e isso começou antes dos aplicativos, começou quando os grupos de amigos começaram a apresentar casais dentro deles mesmos, tudo calculado, ou seja, a maquina só foi uma evolução natural que aumentou as possibilidades e denegriu o mercado, exatamente como na revolução industrial.

Então eu saí para ultima Leg de shows deste tema (leia-se ir a boate) e ao chegar me deparei com a sucursal do purgatório dos relacionamentos, parecia que todo mundo que alguém não quis em determinado momento estava ali, e pior, eu era um deles, aos amigos foi o aviso, sem performance, sem fogo, sem live, hoje não estou disposto, chegava a conclusão que depois de todas as baladas, todos os matchs, mesmo que o amor não aconteça mais, alguma coisa aconteceria, e nós, da velha guarda que gosta de sentir as borboletas na barriga, teríamos que nos adaptar.

A noite foi acabando e no outro canto da pista tinha alguém justamente igual a mim, ali, sem combinar com o envolta, sem se encaixar, talvez fosse-mos duas pessoas dispensadas que em um momento se encontraram:

- Nomes, Prazer!
[beijos]
[distancia]
(para amigos) - Ta vendo? não existe chances de amor, é só live.
[volta]
[beijos]
Errei
Anota meu número.
Toma o celular, grava aqui.
[foto da Disney]
(JUNTOS) amo a Disney!
Deus.
Também.
Familia.
Muito!
Sonho.
Também!
Noite.
Também.
Performance!
Eu subo!
Preciso descer.
Sofá.
Vamos?
Vou ao banheiro, me leva?
Sim.
Carinho.
Beijo.
Cuidado.
Confuso.
Cachorro Quente.
Embora.
Tchau.

E a historia terminaria aqui, se não fosse um telefonema e um encontro no dia seguinte, que foi mais ou menos assim:

Ela - Então tudo era para um texto.
Ele - Sim.
Ela - Porque?
Ele - Por que o amor faliu.
Ela - Mas acredita nele?
Ele - Sim.
Ela - então corre atrás.
Ele - Não corro, mas estou aberto para que ele chegue.
Ela - mas você acha que ele vai acontecer do nada? Que vai chegar para você e falar to aqui? Em um lugar onde o amor não estaria? Acha que vai encontrar alguém que combine com você no meio do nada e vão se dar super bem?
Eu - Alguém tipo você?
[beijos]

Aí você dá pausa no video do Criolo lá em cima e liga Ed Sheehan aqui embaixo, por que esse texto, que começou ao som de “Não existe amor em SP” termina com "pensando alto que  talvez encontramos o amor exatamente no lugar onde estamos"… Bom, talvez não seja o amor de fato, mas o amor não surge a primeira vista sempre, talvez ele seja construído entre duas pessoas com muito em comum e com disposição para fazer com que ele exista.

E no outro dia eu acordo, penso em tudo que queria escrever aqui, vou trabalhar, e começo a sentir todos os efeitos dos meus termogênicos, minha boca seca, minha barriga estranha, uma ansiedade… Suspiro e lembro, eu não tomei termogênico hoje.

“Maybe I found love where I are, maybe.” 



domingo, 18 de novembro de 2012

Era uma vez em Búzios...



Em 1964 Brigitte Bardot chegou a Búzios, nada mais que uma Itacaré do Rio de Janeiro, sem energia elétrica, sem glamour, sem lacoste, sem osklen, sem Don Juan, sem Crepes, sem Pacha, sem Privilège e por ultimo mas longe de menos importante, muito sensual... Se recuperando de um pé quebrado, e com outros órgãos ainda quebrados, eu estava praticamente como Búzios antes de Brigitte Bardot, sem energia, sem álcool mas pior, sem sexo.

Minha falta de jeito para movimentar novamente minhas pernas fez com que amigos se empenhassem no trabalho de me levar a Santa Brigitte, quem sabe ela podia fazer comigo o mesmo que fez com Búzios? Meus acessos são bem mais fáceis, com pedágios baratos e ruas, ao que eu sabia, asfaltadas.

Drinks, baladas, passeios e compras, descobri que búzios vende roupas baratas, drinks ótimos e crepes irresistíveis, é impossivel andar por búzios sem pensar em como Brigitte viu aquela Cidade e nos sentimos mais próximos dela. Ao entrar na Rua das Pedras descobrimos que nem todas as vias precisam ser acessíveis, e nem todos os pés, firmes, para mim foi um exercício, para meus dois membros danificados.

É difícil paquerar com algum órgão machucado em uma rua de pedras, não existe nível, logo, se não olhar por onde pisa a dor é tanta que você vai ao chão, é importante levar alguns amigos que amparem uma possível queda, Em princípio acreditava que aquilo não foi uma boa idéia, muitos olhares, muitos buracos e muita, muita falta de preparo físico e emocional da entrada da Rua mais badalada da cidade até a Estátua de Brigitte, que finaliza a vida social de Búzios.

Enquanto isso, minha amiga Nina procurava também pelos seus próprios desníveis, e após várias opções, bonitos, altos, novos, não tão novos, carecas cabeludos e garçons... lá estava ele...

- Aquele cara ali.
- Não faz meu tipo.
- Você precisa de um daqueles...
- Mas ele é Velho...
- Velho não, no máximo... Vintage!

Os tempos mudaram, hoje diferente de 1964 homens de 45 anos estão saindo da purberdade e entrando no mercado dos relacionamentos sérios, vale a pena investir.. as vezes até mais, sem limite de ano de nascimento, o que importa é diferenciar uma peça Vintage do que é só velho mesmo. O Vintage ainda funciona, você acompanha de algo novo e moderno e deixa de ser estranho e passa a ser estiloso. Um Vintage dá uma elevada no visual e, com certeza, valoriza um relacionamento.

Mas não foi só a aparência das pessoas maduras que mudaram em búzios desde 1964, ao chegar na estátua de Brigitte sentei em seu colo, suas pernas estavam tão abertas que pensei como Búzios pode ter ficado tão frio desde que ela passou por lá, nós tivemos uma ligação, estava ela, em bronze, sentada em cima de uma mala, como se tudo que precisasse estivesse ali, e dali ela não precisava se levantar, e nem eu.

Após dias andando pelas Ruas das pedras parece que meu pé recuperou alguns movimentos, doi menos, outras coisas também foram recuperadas, minha intimidade com Brigitte, por exemplo, a quem a essa altura chamava de Brigis, a maniaca sexual, que mudou búzios, que me mudou...

Buzios hoje tem muito mais brilho apesar de menos sensualidade, acredido que se Brigis desembarcasse ali hoje sua estátua teria as pernas um pouco mais fechadas.

Como Búzios eu recuperei meu brilho... Meus amigos também, e eu percebi que apesar de ter todo o acesso facilitado por Rodovias perfeitas e cheias de pedágios é importante manter uma única rua de pedra bem no nosso centro, para que a dificuldade de andar torne nossos ligamentos mais fortes... Búzios pode ter menos paquera que teve um dia... Mas tem Modelos semi-nuas divulgando festas, Marinheiros semi-nus carregando placas e aquilo que eu acredito que vá ser a grande aposta do verão.. peças Vintages. 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Aís e Mas’s... A história de dar algo para alguém que você quer. – ou – A história de como quebrar o coração de alguém.


O que dar para alguém que você quer?  Ouvi uma história, e vale a pena transcrever, ao meu modo, claro. Era uma vez uma mulher que queria muito um homem,  só isto. Mas o querer já não era só isto, e algo precisava ser feito... Eu entendo, é parte da necessidade de fazer algo como ultima tentativa, algo que deixasse claro suas intenções. Acredito que todas as pessoas, independente do sexo passam por isto em um não-relacionamento, a vontade de tentar torna-lo um e nesse jogo vale tudo, nada é baixo demais, ou humilhante o suficiente, o fundo do poço nem sempre é tão escuro, sei porque costumo frequenta-lo com certa habitualidade.

Partir para o tudo ou nada é uma das primeiras opções, reunir os amigos, e juntas as idéias:

- O que eu faço para ele ficar comigo?!
- Dá alguma coisa para ele!
- Mas ele só gosta de ganhar aquilo que pode comer...
- Você já tem sua resposta!

E tinha, partiu dali com frio da expectativa, calor da ansiedade e tremulo da excitação. Geralmente os amigos, a cidade e o sexo estão sempre colaborando para histórias de amor, ela preparou as falas, as músicas e escolheu o lugar, mas esqueceu da roupa e do cabelo, na verdade naquela altura era o que menos importava, a chuva tratou de deixar o mar mais agitado, e os vidros mais embaçados. Precisava dár algo que o fisgasse,  ele seria dela.

Ela gostava de flores, ele, de tudo que podia consumir, ela era jazz, ele não, ela gostaria de receber um buquê, mas ele?! Ele não vê utilidade em rosas, existe um tipo de pessoa, homens e mulheres, que gostam só daquilo que de alguma forma carnal podem aproveitar, talvez estas pessoas querem tanto consumir, que consomem as outras, entre o buque, sexo, bombons e outras coisas... houve a história, que é quase um poema:

- Aí fui pra pedir uma chance...
- Que me escolhesse..
- Me escolhesse pra tentar...
- Que me tentasse ou deixasse que lhe tentasse...
- Agora, hoje, não amanha, de imediato...
- Se mudasse de idéia depois, sem problemas...
- O caminho que isso tomaria, não importa...
- Eu só queria que escolhesse ficar...
- Então me beijou...
- E tentou se justificar..
- Aí começou os mas, mas... mas...
- Eu disse...
- Mas oque?! Você não quer?
- Mais beijos...
- E disse que gostava de mim, que queria ficar comigo...
- mas, mas... mas...
- Aí nao falava nada...
- Aí disse que se odiava por aquilo...
- Aí eu disse se não queria...
- Aí que e tudo está muito confuso ainda...
- Que não sabe...
- Aí me beijou...
- Aí eu empurrei...
- E disse...
- Se não quer...  Não quer...

[meu olho cheio de água...]

- Aí entreguei um bolinho de post it... cada um escrito uma coisa..
- Aí leu..
- Me beijou..
- Aí eu disse, não quer ficar comigo!?
- Não quero ficar com ninguém!
- Tudo bem...
- Que eu, eu ficaria bem...
- Aí fomos embora...
- Aí ficou me olhando e pedindo desculpas...
- Aí nao chorei..
- Aí deixei em casa...
- Mas antes de deixar...
- Parei o carro no meio da rua...
- Aí disse...
- Que fique bem claro uma coisa...
- Você vai embora porque você quer!
- Porque eu te quero muito!
- Independente do quanto vc tenha pra me oferecer!
- Eu quero!
- Não esquece disso!
- Por mim, a gente fica junto!
- Mas nao se preocupa comigo...
- Porque eu te falei o que precisava falar...
- Eu precisava que vc soubesse que eu te quero muito!
- E agora... eu posso ficar bem!
- Aí quando chegou na frente de casa...
- Ficou me olhando...
- E segurando minha mao...
- Eu olhando pro outro lado...
- Pra nao chorar...
- Aí eu disse...
- Tem mais alguma coisa pra falar..?

[Com uma voz calma...  A boca com um meio sorriso constante, para desviar a atenção do olho, que estava cheio de água]

- Aí eu disse.. vc tem mais alguma coisa pra falar?
- Aí fez com a cabeça que não..
- Aí  falei.. vai embora por favor então...
- Aí me pediu desculpas e foi..
- Aí acelerei o carro depressa, até que fosse seguro...
- Aí eu parei e chorei.

A história é repetida... mas é claro que ela acredita que é a exceção, se não, nem iria tentar dar a ele algo que a ela pudesse ligar, mas o fato é que ela não foi por ninguém, nem por ele, foi por ela, para retirar o peso da não tentativa, da derrota pela inércia,  ela precisava tentar, transpor a falta de coragem, e agora espera que ele volte, talvez pelo simples vício de se machucar,  como toda boa leitora de 50 tons de cinza, ela deve querer um pouco de dor... e ele? Ele provavelmente comeu um buque de alface, e vai viver com a não oportunidade ou se arrependerá em tempo...



sábado, 20 de outubro de 2012

Membros de/e Ex's


Terminar um relacionamento antigo deve ser como quebrar uma perna, é doloroso, impede que façamos coisas que estamos acostumados a fazer e pior, sempre que se faz um novo movimento.. dói! Mas não dói de uma forma comum, dói como se você soubesse que aquele membro ainda está ali e é você que não consegue mexer, pelo menos não por enquanto.

É obvio que todo mundo sabe que em algum momento aquela parte do corpo estará novamente enrijecida, mas até lá precisamos nos apoiar em outras coisas, as muletas, uma forma artificial de se apoiar, e se movimentar. Nos primeiros dias é difícil, pois não sabemos exatamente onde encontrar uma, no meu caso muletas caíram de toda parte, algumas foram trazidas pela família, outra por amigos e no fim tenho tenho três, apesar de só ter uma perna engessada.

Tudo é muito parecido,  a ansiedade de estar preso na cama se aproxima bem a vontade de comer o mundo pela falta de alguém, o que me resultou em uma madrugada inteira de bolinhos fritos, única coisa capaz de fazer uma pessoa machucada ficar feliz, até ter uma dor de barriga, óbvio, única coisa capaz de fazer um saci descer três vãos de escada.

Espalhando gesso por toda casa, a cada degrau uma batida, seguida de "ai", "ai", "ai", quanto mais eu descia, mais sentia o quanto de verdade eu tinha me machucado.

Voltando a cama, aos travesseiros e às frituras sinto uma dor latejante , que me faz desejar retirar este membro como se fosse só uma bota, mas ele está ali, bom seria se os relacionamentos saíssem assim de nós, como um sapato, e as dores também, mas não, acredito que precisamos de um tempo para confiar novamente na nossa pisada, para que a dor acabe e sejamos novamente firmes, a cada um é necessário um tempo, a mim o médico estabeleceu 15 dias, mas por enquanto... já consigo voltar a escrever.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

De volta a noite.. Parte II, so dust off your fuck me pumps.

Entre uma e outra explosão, encontrei uma das meninas mais lindas que já conheci, e ela continuava linda, do mesmo jeito, incrivelmente do mesmo jeito, entediantemente do mesmo jeito… O que nem é tão bom assim, todos os bombados estavam em volta dela, ela realmente é o máximo.. mas, quando os 30 se aproximam… os saltos, as gucci's e os vestidos podem não ser o suficiente, so dust off your fuck me pumps.

As pessoas precisam entender que beleza é como um carro do ano… inteligência é como um imóvel antigo com vista... Carros do ano são chiques e significam status, são imponentes e chamam atenção.. mas vista para  o mar.. dura pra sempre!

O problema é que ninguém pensa na vista quando ta bêbado em uma boate!

Mas Dora encontrou outras coisas, ou melhor, outros, no meio da pista, se acabando e considerando justa toda forma de amor, e assim a noite passou, com muitos beijos e poucas promessas, ou seja: zero envolvimento.

Doralice decidira não se envolver ali, não naquela noite, para afastar todos os males e acordar melhor como se a promiscuidade fosse o elixir da alegria, confesso que ali, acreditei que era, mas no dia seguinte….

[telefone…]

- Ta melhor né?

- Não, ainda to um lixo!