E comigo foi exatamente o que aconteceu, mais ou menos nessa ordem: Dor nas costas; vai ao médico; ortopedista; vai à outro; raio-x; tem que ser ultra-som; melhor tomografia; Faz ressonância; contraste deu enjoo; engole o vomito porra!; Pode ser câncer; CÂNCER? É Câncer, FUDEU!
E assim, fuderásticamente, se descobre o maldito, é claro que de uma doença se tira várias coisas, positivas ou negativas, mas aqui não é momento auto-ajuda, então.. E la vamos nós! Descoberto o câncer, se inicia uma bateria de exames, no doente, e em mim, sendo vários deles verdadeiramente constrangedores, a citar:
Urologista:
- Qual o problema meu filho?
Eu:
- Câncer doutor, no testículo;
Urologista:
- Vamos examinar…
- Não estou achando nada… Quais foram os sintomas?
Eu:
- Na verdade nenhum doutor, desde que um amigo meu descobriu câncer no testículo eu to sentindo um incomodo I-N-S-U-P-O-R-T-Á-V-E-L que mal consigo andar;
[aperto seguido de dor, leia-se: D-O-R]
Ele me dispensou depois disso, acredito que até hoje ele pensa que eu só fui la para ele pegar as minhas bolas, juro que não! Realmente estava sentindo o incomodo, até apertarem meu saco [porra].
Logo após cessar a dor nos testículos[disse testículo em uma tentativa, acredito que frustrada, de elevar o nível do texto], descobri um caroço logo acima do meu esofago, por meio do google descobri que o Câncer nessa região é o mais mortal, marquei no outro dia um gastro (médico que analisa a parte mais próxima do esofago que eu consegui) e assim descobri (e vocês que estão se apalpando descobrirão também) a ponta do meu externo(osso que liga as costelas).
Depois da paranóia inicial, vamos ajudar quem realmente está doente, essa parte já foi mais complicada, assim:
- - Quimioterapia, vou vomitar! [doente]
- - Não vai ser a primeira vez, pelo menos não é por vodka! [Eu]
- - Choro [Doente]
- - Abraços [Todos nós]
[Dor de cabeça, dor nas pernas, cansaço]
- - Gente, deixa ele sentar, ele não ta bem! [doente, falando de mim]
Dar apoio nesse momento envolve várias coisas, inclusive não falar que “seus sentimentos que trouxeram a doença”, além de ter que enfrentar tudo [quimio, enjoo, vomito, dor muscular, rosto amarelado e boca branca] a pessoa ainda tem que pensar que aquilo é culpa dela? Não! É demais, mas é claro que não é fácil saber o que dizer nessa hora, eu, resolvi fazer o que eu achava necessário, da minha maneira, que foi:
Eu:
- Rosangela, tem horário para hoje?
Ro:
- Para fazer o que?
Ro:
- Para fazer o que?
Eu:
- Raspar tudo.
- Raspar tudo.
Ro:
- Mas porque menino? Ta doido? Revoltou?
- Mas porque menino? Ta doido? Revoltou?
Eu:
- Mais ou menos, rs, vou precisar enfrentar a quimioterapia.
- Mais ou menos, rs, vou precisar enfrentar a quimioterapia.
[Ela quase chorou, eu chorei, depois, pelo câncer e pelo meu cabelo]
[telefone]