quarta-feira, 20 de abril de 2011

Plaft Plaft Plaft..

Carlota acabou de voltar da Europa, logo, reunião para matar as saudades, logo que cheguei ela confirmou que voltará para Europa e ficará na frança por mais um tempo como bolsista em um centro de pesquisa (se nada der certo vou virar baba dos filhos dela na e receber em euros), a notícia significou, tem que ver isso ai! Voltamos ao papo de mesa, e o assunto? Relacionamentos, Casamento e Filhos... As maiores preocupações das pessoas de trinta ou quase trinta, enfim, depois de rever todas as estórias e questões do escolhendo cachorros (com destaque para: Como posso confiar na masculinidade de um homem que segura a marguerita na ponta dos dedos - e só bebe marguerita) chegamos a algumas conclusões ou  outros questionamentos:

Homem que é homem tem que beber cerveja e chop? Tem que coçar o saco e ter um estomago bruto?   O que você pensa se no lanche no primeiro final de semana junto o cara pedir um  carpacio com salada de rúcula? Moça! Homem não pode exibir um estomago sensível no primeiro encontro, da mesma forma que mulheres não podem assumir o x-tudo no primeiro encontro, ninguém precisa saber o quanto você gosta de mortadela, bacon e torresmo até que assuma que te ama. Vai por mim, significa!

Além disso, concluímos também que Filhos não são previdência privada [não sei se quero ter os meus, mas se tiver, vai ser quando eu não precisar projetar nada em ninguém], ou seja, quando ficarmos velhos e velhas, nada de ir infernizar a vida da pobre da nora, paga um bom plano bancário e vai para um asilo bonitinho [PORRA], claro que todos vamos cuidar dos nosso pais caso necessário, mas transferir para os nossos filhos que eles DEVEM fazer isso é muito "perestróico" para nossa geração.

E para não dizerem que nossa geração só falava em relacionamentos, chegamos a algumas conclusões a respeito de música brasileira (buteco também é cultura), se você quiser se apaixonar (ou que alguém se apaixone por você) vá a um pagode, uma pessoa que ouve sorriso maroto é muito mais propícia a se apaixonar louca e definitivamente que qualquer outra, se você quiser só uma fugidinha romântica, vá ao sertanejo, se procurar por bom sexo, vá ao funk, um homem  que consegue atingir a velocidade 6 no Créu pode fazer qualquer mulher feliz, e uma mulher que consegue dançar o refrão inteiro de Curtir a Vida - MCk9 (quer saber a letra joga no google porque não vou abaixar - mais - o nível disso aqui) certamente vai se sair melhor que Sharon Stone em Instinto Fatal [pensei em Kim Basinger - 9 semanas e 1/2 de amor, mas isso denunciaria minha idade - não que Instinto Fatal seja atual].

Foi quando Kátia Flávia, sim, tipo aquela loiraça beuzebu, provocante, gostosona, gostosona e provocante, que só usa calcinhas comestíveis e calcinhas bélicas, dessas com armamentos bordados [Calcinha de morango, Calcinha geladinha, Calcinha de rendinha, Calcinha de morango, Calcinha geladinha, Calcinha de rendinha], minha amiga, melhor, amiga de Carlota e de quebra minha amiga, começou a falar sobre sua vida amorosa, acaba de sair de um relacionamento com um homem que conhece há anos e com quem mantém este caso por 05 meses, ela estava desesperada porque ele só a tratava como amiga e todos tentamos saber como a garota cantada por Fernanda Abreu não conseguiu manter um relacionamento com o tal...

K.F.: Ele disse que não namorava há três anos, e que eu era a única que mexeu com ele, mas não era o suficiente para um namoro. Então começamos fazer a pós juntos, claro que eu com esperanças.

Eu: mas porque você desistiu da pós no primeiro dia?

K.F.: Ah, porque não dá para conciliar com meus outros objetivos. Ficamos na pós graduação, ele o tempo todo fingindo que eu era uma amiga, você viu.

Eu: Pensei até que era gay, apesar de não ver ele bebendo margueritas..

K.F.: Então chegamos em casa, quando cheguei no portão ele esticou o braço nas minhas costas e tentou me beijar, ai eu disse: Olha, acho melhor a gente continuar amigo, não vai dar certo.

Amiga: Mas por que você não ficou só por sexo?

K.F.: Poxa, não é bom fazer sexo antes do namoro...

Amiga: Não, não é bom fazer sexo no primeiro encontro.. isso que você ta falando é uma nova regra.

K.F.: Mas ele nunca iria me respeitar...

Eu: Cinco meses só com beijinho e  cinema? Obvio que ele iria pular fora, tinha um namoro sem o mais divertido, é como comer o passatempo sem recheio...

K.F.: Eu ficava subindo pelas paredes, mas não adianta, homem não respeita mulher que faz sexo antes do namoro, a melhor amiga dele inclusive me avisou que se eu fizesse sexo antes do namoro ele com certeza me daria um pé na bunda porque ele é extremamente machista.

Eu: Idiota, ela queria ficar com ele! obvio!

Amiga: Eu acho essa questão de sexo na primeira noite muito relativo...

Eu: Pois é, vai que é mágico, que toque sinos..

Amiga: Sinta borboletas no estomago.. ouça um sinal...

K.F.: Ai gente, eu nunca ouço nada, no máximo um Plaft Plaft Plaft Plaft...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Doenças, transmissíveis ou não…

Qual a reação de qualquer pessoa normal quando descobre que alguém muito, muito próximo está seriamente doente? Procurar todos os médicos possíveis para fazer todos exames existentes a fim de encontrar todas as doenças impossíveis, porque todos nós achamos que, ainda que sem qualquer contato físico, ou que não se passe através do mero contato físico, adquirimos de alguma forma psicossomática a enfermidade em questão.

E comigo foi exatamente o que aconteceu, mais ou menos nessa ordem: Dor nas costas; vai ao médico; ortopedista; vai à outro; raio-x; tem que ser ultra-som; melhor tomografia; Faz ressonância; contraste deu enjoo; engole o vomito porra!; Pode ser câncer; CÂNCER? É Câncer, FUDEU!
E assim, fuderásticamente, se descobre o maldito, é claro que de uma doença se tira várias coisas, positivas ou negativas, mas aqui não é momento auto-ajuda, então.. E la vamos nós! Descoberto o câncer, se inicia uma bateria de exames, no doente, e em mim, sendo vários deles verdadeiramente constrangedores, a citar:

Urologista:
-       Qual o problema meu filho?
Eu:
-       Câncer doutor, no testículo;
Urologista:
-       Vamos examinar…
-       Não estou achando nada… Quais foram os sintomas?
Eu:
-       Na verdade nenhum doutor, desde que um amigo meu descobriu câncer no testículo eu to sentindo um incomodo  I-N-S-U-P-O-R-T-Á-V-E-L que mal consigo andar;
[aperto seguido de dor, leia-se: D-O-R]

Ele me dispensou depois disso, acredito que até hoje ele pensa que eu só fui la para ele pegar as minhas bolas, juro que não! Realmente estava sentindo o incomodo, até apertarem meu saco [porra].

Logo após cessar a dor nos testículos[disse testículo em uma tentativa, acredito que frustrada, de elevar o nível do texto],  descobri um caroço logo acima do meu esofago, por meio do google descobri que o Câncer nessa região é o mais mortal, marquei no outro dia um gastro (médico que analisa a parte mais próxima do esofago que eu consegui) e assim descobri (e vocês que estão se apalpando descobrirão também) a ponta do meu externo(osso que liga as costelas).

Depois da paranóia inicial, vamos ajudar quem realmente está doente, essa parte já foi mais complicada, assim:
-       - Quimioterapia, vou vomitar! [doente]
-       - Não vai ser a primeira vez, pelo menos não é por vodka! [Eu]
-       - Choro [Doente]
-       - Abraços [Todos nós]
[Dor de cabeça, dor nas pernas, cansaço]
-       - Gente, deixa ele sentar, ele não ta bem! [doente, falando de mim]

Dar apoio nesse momento envolve várias coisas, inclusive não falar que “seus sentimentos que trouxeram a doença”, além de ter que enfrentar tudo [quimio, enjoo, vomito, dor muscular, rosto amarelado e boca branca] a pessoa ainda tem que pensar que aquilo é culpa dela? Não! É demais, mas é claro que não é fácil saber o que dizer nessa hora, eu, resolvi fazer o que eu achava necessário, da minha maneira, que foi:




Eu:
- Rosangela, tem horário para hoje?
Ro:
-  Para fazer o que?
      Eu:
      - Raspar tudo.
      Ro:
      - Mas porque menino? Ta doido? Revoltou?
      Eu:
      - Mais ou menos, rs, vou precisar enfrentar a quimioterapia.

[Ela quase chorou, eu chorei, depois, pelo câncer e pelo meu cabelo]

[telefone]

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Escolhendo os Cachorros...

Se você não for do tipo olhar penetrante, sorriso sexy ou beijo inesquecível, você provavelmente não será escolhida(o) de cara para qualquer coisa, logo, terá que escolher um parceiro para o jogo, brigar por ele, ou simplesmente contar com a sorte.

De fato, eu nunca fui do tipo que é escolhido(a) para o primeiro time, não tenho uma beleza inigualável, porte atlético ou habilidades com braços, pernas ou língua que me destaque dos demais mortais, para pessoas como nós as coisas são mais difíceis? ABSOFUCKLUTELY!

Não por uma questão de beleza exterior, faço parte de uma geração que perdeu a crença em romance bem antes do naufrágio do Titanic no Oscar, e talvez por isso, não vejo e/ou acredito que algo mágico trará parceiros ideais para nós. Mas até onde a mágica e/ou a beleza determina nossa aptidão para nos envolver em relacionamentos?

Tenho uma amiga que mora no exterior, a chamarei de Carlota, Carlota Joaquina, moça bonita, inteligente e realmente interessante mas, com o dedo podre.

Juro que eu pensava que ares nórdicos e o próprio fuso diferenciado mudaria as relações, mas não, lá do outro lado do oceano ela escolheu um brasileiro, possessivo, de sexualidade indefinida e, pior, brocha [você vai me dizer que é culpa dela, juro que não é].

Com o término deste "relacionamento" ela conheceu um cara dos sonhos, bonito, firme, com pegada e, principalmente, erétil [ufa], era brasileiro também, e no fim, descobriu que era comprometido, mas ao invés de terminar, continuou, afinal, ninguém sabe se as relações existem e devem ser respeitadas do outro lado do trópico.

Casamentos não possuem validade documental fora do país, logo, na teoria, namoros muito menos.

O fato é que, ao escolher não somos escolhidos? Como saberemos se a escolha é certa se não temos sentidos mágicos aguçados (se depender de ouvir sinos ou grandes acontecimentos astrológicos ficarei para semente).

A ultima vez que escolhi de fato um parceiro está fazendo 9 meses no próximo dia 15, e a história foi assim:

Descobri um exemplar no meu estado do mesmo tipo que eu queria, não tinha certeza de sua genuinidade, até por não conhecer seus ancestrais, namorei por meses aqueles cabelos louros e olhos cintilantes, porém, não senti aquele frio na barriga e/ou situação magica de encontro entre duas almas…[fiquei em duvida].

Quando me decidi, e fui atrás daquele que eu queria, não o encontrei, tinha sido conquistado, por alguém mais rápido e/ou determinado que eu, alguém que ouviu sinos, talvez, alguém que não duvidou que ter um golden retriever macho em casa seria uma bagunça, ou que ele teria cara de vira lata por não ter pedigree.

Dias depois recebi uma ligação do dono do canil, falando que sobrou uma filhote, magra, miúda, com pouco pelo e muita sarna, fui e a trouxe, com um híper desconto e coceiras de brinde, morrendo de medo de ela virar uma golden-lata, hoje, aos nove meses, ela arranca suspiros por onde passa, e mesmo sem a mágica inicial, ela me ama como quase nunca me senti amado [talvez para compensar a coceira por dois meses].

Assim como Carlota, eu também não esperei meu momento mágico, ou meu exemplar perfeito, e acredito que quando encontrar alguém, ainda que não tenhamos um início surpreendente e cinematográfico ou moralmente lindo, vai ser real, e as vezes, ainda que não dure para sempre, a gente vai se sentir amando como quase nunca.