Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de junho de 2024

Re-Amar, literalmente.

A fumaça enche a sacada de um protagonista que odeia cigarro, depois de muito tempo sem escrever, estou aqui de volta, talvez porque faz muito tempo que não amo.


De volta à cidade depois de 3 anos de reclusão, o céu ainda é cinza, o ar ainda cheira a dinheiro e o vento ainda é frio. Depois de meses de adaptações turbulentas e relações tão falsas quanto os lagos do parque Ibirapuera, parece que alguma coisa real chegou à cidade. Vamos chamá-lo de Dr. Who.


Dr. Who é um cara lindo e doce, que conheço incrivelmente há 3 anos, desde que saí da cidade. Quando começamos a conversar, parecia que alguma coisa apaixonante e linda nascendo. Aprendi a cantar a música "Your Man" só para impressioná-lo, principalmente por causa da letra: uma, porque ele é o homem dos sonhos, outra, porque a musica diz o quanto me moveria só para ser dele. Como sempre, fui a um karaokê, gravei a música e mandei, sem dizer nada! (Na minha cabeça musicas, sinais, letras e entrelinhas falam por si só). Como resposta, ele me mandou minha música preferida do Elvis, cantando no chuveiro, e quase sem querer me disse que ele "Can't help falling in love with me”.


Não que eu precisasse de algo além do sorriso dele para me apaixonar, mas conversávamos sobre tudo, o tempo todo, sobre sonhos, a vida e o passado. Eu tinha acabado de perder Alguém muito especial para o câncer, e ele era uma companhia digital maravilhosa, onde conversávamos o dia todo, quase que uma relação por EAD.


Ver ali um cara tão perfeito, e saber que eu estava ainda tão quebrado e precisando de um tempo, sem um emprego e sem rumo, sem condições de ser o homem que eu acreditava que ele precisava, e que eu precisava ser para mim, me fez manter aquilo só pela conversa no Instagram (afinal eu nunca fui bom nem em cursos a distância, quem dirá em relações). 


Eu disse a ele que acreditava em amor e no destino, e que, se ele fosse meu amor, o destino nos colocaria na mesma cidade. Naquele momento, Dr. Who terminava medicina Fora do País e atendia em um hospital na Bahia. Eu me recuperava embaixo das cobertas em posição fetal na casa da minha mãe, no Espírito Santo. E como algo sobrenatural, o Espírito Santo me salvou.


Voltei a São Paulo com uma proposta inusitada de trabalho. Dr. Who, nesse momento, mudava para o Canadá, onde iria tentar um novo amor. Eu o apoiei, e desenvolvemos uma amizade (por que não?).


Em troca de conversas e apoios, Dr. Who terminou o relacionamento. Em uma escala em São Paulo, sem conseguir voo para a Bahia, aonde precisava retornar, lembrou-se de mim e me ligou pedindo ajuda para um hotel. Eu o convidei para que ocupasse meu sofá até que pudesse ir (por que sim?).


Destino ou não, acordei em uma sexta-feira fria, quase como uma Carrie Bradshaw tupiniquim, sem uma coleção de Manolos e com um medo: será que esse contato não me traria algum tipo de retorno de sentimentos? Como me comportaria se esse amor voltasse e eu tivesse que consolar ele, e assistir ele usando outros corpos para superar o ex?


Fiz café da manhã para minha visita que logo chegaria. Ele chegou e eu saí, afinal, esse era o combinado: ele estudaria e eu trabalharia até tarde. À noite, chego em casa e ele está aqui, cheio de chocolates e com uma cara bem melhor. Fomos para onde? Um karaokê. Lá coloquei a música que ensaiei dias para cantar para ele há três anos, mas sem dizer que era para ele.


Este lugar especial para mim é um Karaoke na liberdade, onde o público tem mais de 60 e muito mais calor que o resto de São Paulo, começa a tocar um bolero e todos dançam em casais, pego a mão do Dr. Who e o coloco no meio da pista, todos aplaudem minha coragem, e então dançamos, bebemos, rimos, cantamos. 


Dr. Who canta com uma mistura de Calum Scott, com o fogo do Elvis e um rosto de anjo. Uma senhorinha dava em cima de mim e encostava nas minhas pernas (eu tenho pânico de contato fisico com estranhos). Brincando, pedi para ela sair porque estava atrapalhando o romance, pisando para ele em um sinal de cumplicidade para me salvar da situação, ele me puxou para perto e ela entendeu. Rimos muito, porque não havia romance ali. Um garoto que conheci mandava mensagens como se tivesse trocado ele pelo meu novo(velho) amigo. Dr. Who pegou meu telefone e respondeu por audio que era meu amigo e que ele deveria me respeitar. Eu apaguei a mensagem e disse que não tinha compromisso nem devia explicações a ninguém.


Nessa hora, Dr. Who me segurou pelo rosto e me beijou, e como um clipe da Katy Perry, meu peito explodiu em fireworks que estavam guardados há três anos em uma gaveta bem escondida dentro de mim.


Não soltamos mais nossas mãos nem nossos lábios. Os olhos brilhavam como se tivéssemos de fato acontecido. Perguntei a ele quando a chave virou. Ele disse que quando me viu de terno, ele lembrou de quando se apaixonou. Eu disse que senti quando ele entrou pela porta.


Estranhamente, Dr. Who está de mudança para São Paulo e vai morar a duas ruas de mim. Será que o destino estava nos juntando? Será que depois de tudo que passamos, tínhamos encontrado um porto um no outro?


Fomos a outro karaokê. Dr. Who não queria entrar, queria vir para casa. Para onde fomos. Falei que dormiria no sofá, mas ele me segurou pelo braço e me jogou na cama. Essas marcas duraram uma semana, o tempo que ele levou para partir. A noite foi um sonho, e por aquelas oito horas, estivemos nas nuvens. Perguntei se ele tinha certeza e se não era muito rápido. Ele disse que tinha, mas poderia esperar, mas que poderíamos dormir ali, juntos, nus, prontos, no céu.


Mas a manhã seguinte trouxe Dr. Who para o chão. Ele mudou? Algo de errado aconteceu? Eu já não conseguia saber. Perguntei e ele disse estar meio apático, talvez pelo término, que precisava de tempo, mas que a noite foi ótima, me abraçando e me dando um tímido beijo na boca.


Fomos ao supermercado e ao parque. Ali, senti que ele estava estranho, distante, não tocava mais em mim. Falou horas no telefone em inglês com alguém do Canadá sobre o ex-namorado (o que seria de uma história de amor sem drama?). Saí de perto para dar privacidade. Ensinei a ele andar de skate, porque quando estou em cima do skate me sinto voando e queria tirar ele de novo do chão.


Durante essa semana, apesar de mais frio, continuamos dormindo juntos na cama. Ele sempre carinhoso, toques, cheiros. Cozinhei para ele e a comida ficou uma merda. Perdi a mão em todos os temperos.


Sou uma pessoa que sente muitas coisas, sinto tudo demais e acabo que nunca sei realmente o que estou sentindo. Será que eu estava mesmo apaixonado? Será que ele era só um amigo muito querido? Não sei. Minha psicóloga explicou uma vez que toda vez que uma boa cozinheira erra no tempero, se faltar tempero, está desiludida. Se sobrar, está apaixonada.


O fato é que o via triste e a única coisa que eu queria era que ele ficasse bem, como sempre quis desde que o conheci. A voz dele, como de todo médico, é calma, doce e ao mesmo tempo protetora. Na hora que eu ia trabalhar, meu querer mudava. Ali eu só queria voltar logo para casa.


Depois de um dia pesado de trabalho, voltei para casa morto. Mas ao chegar, fomos jantar no meu rodízio de japonês favorito. Eu esqueci a chave na porta, porque não sou muito ligado nessa terra, ou porque ainda estava nas nuvens. Ele me disse sorrindo: acho que o resto da vida eu vou ter que cuidar da chave. Eu sorri, e esse jantar salvou meu dia. Perguntei se ele ainda estava mal. Ele disse que não era comigo, estava com muita dor na coluna (eu também estava, porque a sexta deixou marcas, mas quem diria que o amor seria tão doloroso? Literalmente!). E à noite, como sempre, na mesma cama entre trocas tímidas de carinhos.


Chegou o dia dos namorados e comprei flores para ele. Foi difícil! Não queria comprar algo demais para ele não me achar um emocionado, nem nada para que ele não achasse que não me importo. Comprei lírios amarelos e flor mosquito, em um laço amarelo. Dentro, iria comprar algo romântico, mas preferi comprar algo atencioso. Comprei o chocolate que ele mais gosta e uma caixa de remédio para a coluna, que acabou melhorando. (Risos)


Por coincidência, três melhores amigos de Dr. Who estavam na cidade, aos quais me apresentou. Um deles nos conhecíamos há três anos, através de uma das minhas ligações por vídeo de Dr. Who da Bahia. Prometemos um porre juntos, como aconteceu. Noites mágicas, amigos mágicos, tudo perfeito, só que agora sem romance. Não conseguia questionar muito, tinha medo de pressionar ele. Trazer isso agora não seria bom, então me calei e respeitei seu espaço. Queria dormir no sofá, ou pelo menos em lados opostos da cama. Ele nunca deixou. Entre cuecas, nus e camisados, nossas roupas se misturaram pelo apartamento, como nossa nudez e meus sentimentos.


Conversávamos dias por horas, exatamente como se inicia um namoro. Para mim, amor não é uma tempestade emocional, é sim um acordo de cavalheiros. Se faz no sofá, não na cama, com pipoca, sinceridade e compromisso emocional. E assim fizemos amor a semana inteira, talvez a vez mais racional que fiz isso ao longo dos meus 38 anos.


Nessa altura eu não sabia mais o que ser, sou um amigo? Não sou?  Contei para ele sobre construções de relações, e como a minha última (com o Pastor belga do texto anterior) foi feita de combinações, a que eu mais me lembro era a perna que combinamos que ele colocaria sempre entre minhas pernas para dormir, de forma a ter contato a noite, algo importante pra ele, e não me causar fobia, algo importante pra mim. 


Fomos assistir filmes a noite, depois de hora de um trânsito entre amizade e cortejo, brincadeiras, as vezes parecia que existia um cadáver no ar por que eu já não sabia como me comportar, pensei, bem de fato ele não está bem e acredito que está se poupando, deitados na cama, ele coloca a perna no meio das minhas (será uma resposta?). 


Chegou o dia de ir embora, e a única coisa que fazia sentido nesse turbilhão de emoções era que nunca fomos somente amigos. Talvez o garoto que eu tinha ficado antes do Doc estava certo nos ciúmes o tempo todo, ou talvez não.


Antes dele ir para o aeroporto, olhei para ele e disse: não vai deixar as flores que você mal agradeceu para trás, isso vai me machucar. Ele disse que levaria. Ri ali com a certeza de que algo tinha acontecido, mas sem saber o que. Perguntei o que me entalava a garganta toda a semana: o que está acontecendo entre nós?


Ele disse: sou muito grato por essa semana, você melhorou minha vida e foi um colo, mas eu ainda tenho sentimentos pelo meu ex. Ali decidi cortar relação com ele. Não faz sentido manter na minha vida relações indefinidas ou amores inacabados. Falei: seu Uber está chegando? Ele disse que sim. Eu disse: ótimo, desço com você. Troquei a roupa, desci, coloquei ele no carro e já entrei no carro atrás para ir para uma festa (que só me ajudou a não chorar em casa e me fez chorar na frente de estranhos), acho que não estava preparado para me envolver ainda, para amar ainda, pelo menos não ele.


Cheguei em casa e as flores que eu dei, estavam em cima da mesa, joguei no lixo! Elas não me enfeitavam em nada, decidi bloqueá-lo, cortar todas as relações. Passei a noite pensando em como conquistá-lo, reconquistá-lo, como costumava ser há três anos. Mas depois de muito pensar, que sentido faz conquistar alguém quando merecemos amor só por ser quem somos? Nenhum, não preciso mudar, disfarçar sentimentos ou intenções, quero alguém que me ame assim sem querer, como quem descobre que ama sorvete de pistache na primeira vez que experimenta, quero essa sensação. 


E assim Eu acabei não curando meu coração com este médico, mas voltei a amar, a amar a mim mesmo, talvez pela primeira vez eu tenha sido minha melhor escolha, e quando eu for amar alguém, ele vai ter que me amar o tanto que eu me amo. E eu me amo, então decidi apagar esse cigarro, não só para tirar essa fumaça da sacada, que tá embaçando minha visão, mas para parar de fumar, e voltar a publicar no blog com este texto, que pode ser uma total ficção que só existiu na minha cabeça. Ou não. Literalmente.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

"Como usar aplicativos de relacionamentos?" ou "Como acontece o amor em 2015?”



Dá o play e  vem comigo….




No século XVIII, na Inglaterra, se teve início a revolução industrial, sendo marcada pelo grande salto tecnológico onde máquinas a vapor revolucionaram o modo de produzir. Se por um lado a máquina substituiu o homem, gerando milhares de desempregados, por outro baixou o preço de mercadorias e acelerou o ritmo de produção.

Talvez nessa moda da industrialização... Melhor, da informatização... através da própria terceirização.. Substituímos serviços humanos por máquinas, programas.. aplicativos. É nesse pacote que foi a paquera e o flerte, onde as maquinas evoluíram de tal forma que todo trabalho humano se tornou desnecessário, extinguindo a fase inicial do namoro, senão o próprio, e acelerou seu ritmo de produção, pior, baixou drasticamente o preço das mercadorias.

Após um período vivendo “the single life” e sem nenhum encontro relevante,  comecei a me perguntar, Como acontece o amor em 2015? Ainda existe amor em 2015? Existe vida após o Tinder?

Hoje você não precisa convencer a ninguém a namorar com você, nem a ficar, não precisa conquistar, temos vários aplicativos que de diversas formas podem proporcionar o relacionamento que você precisa naquele momento, seja sexo casual ou com compromisso,  eles  combinam seu estilo, sua forma física, seu tipo preferido e até sua renda mensal com pessoas que estão próximas ou buscando as mesmas coisas que você.

Para entender isso eu sai para balada com amigos, entrevistei eles, e conheci pessoas, mas claro que isso não seria o suficiente para entrar no mundo do flerte automático, eu precisava senti-lo, e assim instalei e criei um perfil para cada aplicativo, e claro, aproveitei experiências de manas e manos que estão navegando nesse mar de possibilidades bem antes que eu (sem expectativa nenhuma de salvamento ou naufrágio), todas relatadas minuciosamente para vocês abaixo.

Resumidamente se quer um Encontro com muito live no Brasil, Badoo e Tinder, se procura um green card,  Ok-cupid e Grimpes, se quer um encontro para sexo casual[muito fogo e lançamento de single] Blindr, se for gay, Grindr  e se quer celebridades e seguidores/seguidos do instagram entre no Instamessage (esse te possibilita “cutucar"e conversar com seus seguidos/seguidores do Instagram onde se encontra de  ex-bbbs à celebridades e todas as pessoas do insta, ali, como uma bandeja de canapés a serem escolhidos).

E até aí minha experiência se resume e frenéticas noites de baladas em SP, 95 matchs no tinder, 68 encontros no Badoo, 4 mensagens no Insta, E varias fotos pornográficas nos outros… Mas eu precisava de um gole de vida,  pois sentia falta de frio na barriga, de olhar para a pessoa e esperar aquele olhar retornar. Eu sinto, sinto falta do arrepio do toque inesperado e do desespero para tentar entender o significado, qual significado tem o primeiro encontro se já houve um Match, uma combinação, se as afinidades já foram eletronicamente calculadas e estão ali com o mero intuito de realizar um desejo suprimido, sem segredos, sem descobertas, com todas nudes expostas em fotos e prints?

Depois de um “match" ficar se torna obrigatório, ninguém precisa conquistar ninguém, a fadiga da obrigação faz pessoas como eu simplesmente perder o tesão, não tem sentido, cansa. Tem que ter aquele formigamento quase náusea, borboleta, sino, tem que sentir alguma coisa ou ouvir um sinal antes do plaft plaft plaft. Mas não, mesmo com seu lado lindo místico, seus bares cheios e pessoas vazias, e eu cheguei a conclusão que não existe amor em SP.

E entre os matchs descobri a pergunta mais pedida: 

  • O que você procura?

De onde me surgiu a resposta mais sincera: 

  • Procuro uma forma de terceirizar minha capacidade de flertar e evitar ter que me arrumar, sair para algum lugar que tenha que me divertir até encontrar alguém que seja interessante, se interesse por mim e me convide para sair.

O mais incrível é que de vários matchs só 3 responderam essa pergunta dos quais só um levou adiante e depois de dias ainda não tinha feito o convite, mas discutiu o tema, apresentou ao texto uma nova possibilidade, a mudança do amor.

O amor não é diferente das maquinas, ele é só uma evolução, ele não existiu no passado, e poderá não existir no  futuro, há poucas décadas os casamentos eram arranjados para obter lucro patrimonial, há centenas de anos a união entre as pessoas tinha o único objetivo da procriação, ou seja, se o amor foi inventado os aplicativos são somente uma evolução, um upgrade, uma nova forma de amar, e este amor do toque, da conquista, para a próxima geração não vai existir, e para nós, mero saudosismo.

Nessa altura, a única conclusão que restava era que a falência do instituto casamento levou o flerte junto para o buraco, as pessoas não queriam o risco de começar uma história com uma outra que não fosse um match, que já não estivesse previamente associada, e isso começou antes dos aplicativos, começou quando os grupos de amigos começaram a apresentar casais dentro deles mesmos, tudo calculado, ou seja, a maquina só foi uma evolução natural que aumentou as possibilidades e denegriu o mercado, exatamente como na revolução industrial.

Então eu saí para ultima Leg de shows deste tema (leia-se ir a boate) e ao chegar me deparei com a sucursal do purgatório dos relacionamentos, parecia que todo mundo que alguém não quis em determinado momento estava ali, e pior, eu era um deles, aos amigos foi o aviso, sem performance, sem fogo, sem live, hoje não estou disposto, chegava a conclusão que depois de todas as baladas, todos os matchs, mesmo que o amor não aconteça mais, alguma coisa aconteceria, e nós, da velha guarda que gosta de sentir as borboletas na barriga, teríamos que nos adaptar.

A noite foi acabando e no outro canto da pista tinha alguém justamente igual a mim, ali, sem combinar com o envolta, sem se encaixar, talvez fosse-mos duas pessoas dispensadas que em um momento se encontraram:

- Nomes, Prazer!
[beijos]
[distancia]
(para amigos) - Ta vendo? não existe chances de amor, é só live.
[volta]
[beijos]
Errei
Anota meu número.
Toma o celular, grava aqui.
[foto da Disney]
(JUNTOS) amo a Disney!
Deus.
Também.
Familia.
Muito!
Sonho.
Também!
Noite.
Também.
Performance!
Eu subo!
Preciso descer.
Sofá.
Vamos?
Vou ao banheiro, me leva?
Sim.
Carinho.
Beijo.
Cuidado.
Confuso.
Cachorro Quente.
Embora.
Tchau.

E a historia terminaria aqui, se não fosse um telefonema e um encontro no dia seguinte, que foi mais ou menos assim:

Ela - Então tudo era para um texto.
Ele - Sim.
Ela - Porque?
Ele - Por que o amor faliu.
Ela - Mas acredita nele?
Ele - Sim.
Ela - então corre atrás.
Ele - Não corro, mas estou aberto para que ele chegue.
Ela - mas você acha que ele vai acontecer do nada? Que vai chegar para você e falar to aqui? Em um lugar onde o amor não estaria? Acha que vai encontrar alguém que combine com você no meio do nada e vão se dar super bem?
Eu - Alguém tipo você?
[beijos]

Aí você dá pausa no video do Criolo lá em cima e liga Ed Sheehan aqui embaixo, por que esse texto, que começou ao som de “Não existe amor em SP” termina com "pensando alto que  talvez encontramos o amor exatamente no lugar onde estamos"… Bom, talvez não seja o amor de fato, mas o amor não surge a primeira vista sempre, talvez ele seja construído entre duas pessoas com muito em comum e com disposição para fazer com que ele exista.

E no outro dia eu acordo, penso em tudo que queria escrever aqui, vou trabalhar, e começo a sentir todos os efeitos dos meus termogênicos, minha boca seca, minha barriga estranha, uma ansiedade… Suspiro e lembro, eu não tomei termogênico hoje.

“Maybe I found love where I are, maybe.” 



sábado, 20 de outubro de 2012

Membros de/e Ex's


Terminar um relacionamento antigo deve ser como quebrar uma perna, é doloroso, impede que façamos coisas que estamos acostumados a fazer e pior, sempre que se faz um novo movimento.. dói! Mas não dói de uma forma comum, dói como se você soubesse que aquele membro ainda está ali e é você que não consegue mexer, pelo menos não por enquanto.

É obvio que todo mundo sabe que em algum momento aquela parte do corpo estará novamente enrijecida, mas até lá precisamos nos apoiar em outras coisas, as muletas, uma forma artificial de se apoiar, e se movimentar. Nos primeiros dias é difícil, pois não sabemos exatamente onde encontrar uma, no meu caso muletas caíram de toda parte, algumas foram trazidas pela família, outra por amigos e no fim tenho tenho três, apesar de só ter uma perna engessada.

Tudo é muito parecido,  a ansiedade de estar preso na cama se aproxima bem a vontade de comer o mundo pela falta de alguém, o que me resultou em uma madrugada inteira de bolinhos fritos, única coisa capaz de fazer uma pessoa machucada ficar feliz, até ter uma dor de barriga, óbvio, única coisa capaz de fazer um saci descer três vãos de escada.

Espalhando gesso por toda casa, a cada degrau uma batida, seguida de "ai", "ai", "ai", quanto mais eu descia, mais sentia o quanto de verdade eu tinha me machucado.

Voltando a cama, aos travesseiros e às frituras sinto uma dor latejante , que me faz desejar retirar este membro como se fosse só uma bota, mas ele está ali, bom seria se os relacionamentos saíssem assim de nós, como um sapato, e as dores também, mas não, acredito que precisamos de um tempo para confiar novamente na nossa pisada, para que a dor acabe e sejamos novamente firmes, a cada um é necessário um tempo, a mim o médico estabeleceu 15 dias, mas por enquanto... já consigo voltar a escrever.