EU ESTOU EM RECONSTRUÇÃO .
E quem já passou por uma reforma sabe.
Reconstrução não é sobre tinta nova.
Não são vídeos para engajamento nas redes sociais.
Reconstrução começa na marreta.
Começa quebrando.
Começa arrancando aquilo que já não sustenta mais o peso da sua vida.
Nos últimos anos eu precisei enterrar sonhos.
Enterrar versões de mim.
Enterrar histórias que eu acreditava que durariam para sempre.
Enterrar pessoas.
Enterrar certezas.
Enterrar caminhos que achei que eram definitivos.
E, em alguns momentos, quase me enterrei junto.
Mas existe uma coisa que ninguém te conta.
Quando uma obra está sendo reformada, ela parece pior antes de ficar melhor.
Existe poeira.
Existe bagunça.
Existe entulho espalhado por todos os lados.
Existem pessoas sem função que nem deveriam estar ali.
E quem olha de fora acha que está tudo sendo destruído.
Mas eu tenho aprendido algo.
Nem toda destruição é perda.
Às vezes é preparação.
Eu precisei retirar culpas.
Retirar medos.
Retirar a necessidade de ser forte o tempo todo.
Retirar pessoas que já não cabiam (ou queriam estar) na vida que estou construindo.
E, talvez o mais difícil de tudo…
Retirar a ideia de que eu precisava continuar sendo quem eu fui.
Porque eu não quero voltar para a minha antiga vida.
Eu sobrevivi a ela.
Agora eu quero construir uma nova.
Então, se você ainda tá me vendo no meio da poeira, não precisa ter pena de mim.
Eu não estou perdido.
Eu não estou quebrado.
Eu estou reconstruindo as fundações da minha vida.
E pela primeira vez em muitos anos…
Eu gosto do que está surgindo debaixo dos escombros. Vai ficar lindo!