domingo, 18 de novembro de 2012

Era uma vez em Búzios...



Em 1964 Brigitte Bardot chegou a Búzios, nada mais que uma Itacaré do Rio de Janeiro, sem energia elétrica, sem glamour, sem lacoste, sem osklen, sem Don Juan, sem Crepes, sem Pacha, sem Privilège e por ultimo mas longe de menos importante, muito sensual... Se recuperando de um pé quebrado, e com outros órgãos ainda quebrados, eu estava praticamente como Búzios antes de Brigitte Bardot, sem energia, sem álcool mas pior, sem sexo.

Minha falta de jeito para movimentar novamente minhas pernas fez com que amigos se empenhassem no trabalho de me levar a Santa Brigitte, quem sabe ela podia fazer comigo o mesmo que fez com Búzios? Meus acessos são bem mais fáceis, com pedágios baratos e ruas, ao que eu sabia, asfaltadas.

Drinks, baladas, passeios e compras, descobri que búzios vende roupas baratas, drinks ótimos e crepes irresistíveis, é impossivel andar por búzios sem pensar em como Brigitte viu aquela Cidade e nos sentimos mais próximos dela. Ao entrar na Rua das Pedras descobrimos que nem todas as vias precisam ser acessíveis, e nem todos os pés, firmes, para mim foi um exercício, para meus dois membros danificados.

É difícil paquerar com algum órgão machucado em uma rua de pedras, não existe nível, logo, se não olhar por onde pisa a dor é tanta que você vai ao chão, é importante levar alguns amigos que amparem uma possível queda, Em princípio acreditava que aquilo não foi uma boa idéia, muitos olhares, muitos buracos e muita, muita falta de preparo físico e emocional da entrada da Rua mais badalada da cidade até a Estátua de Brigitte, que finaliza a vida social de Búzios.

Enquanto isso, minha amiga Nina procurava também pelos seus próprios desníveis, e após várias opções, bonitos, altos, novos, não tão novos, carecas cabeludos e garçons... lá estava ele...

- Aquele cara ali.
- Não faz meu tipo.
- Você precisa de um daqueles...
- Mas ele é Velho...
- Velho não, no máximo... Vintage!

Os tempos mudaram, hoje diferente de 1964 homens de 45 anos estão saindo da purberdade e entrando no mercado dos relacionamentos sérios, vale a pena investir.. as vezes até mais, sem limite de ano de nascimento, o que importa é diferenciar uma peça Vintage do que é só velho mesmo. O Vintage ainda funciona, você acompanha de algo novo e moderno e deixa de ser estranho e passa a ser estiloso. Um Vintage dá uma elevada no visual e, com certeza, valoriza um relacionamento.

Mas não foi só a aparência das pessoas maduras que mudaram em búzios desde 1964, ao chegar na estátua de Brigitte sentei em seu colo, suas pernas estavam tão abertas que pensei como Búzios pode ter ficado tão frio desde que ela passou por lá, nós tivemos uma ligação, estava ela, em bronze, sentada em cima de uma mala, como se tudo que precisasse estivesse ali, e dali ela não precisava se levantar, e nem eu.

Após dias andando pelas Ruas das pedras parece que meu pé recuperou alguns movimentos, doi menos, outras coisas também foram recuperadas, minha intimidade com Brigitte, por exemplo, a quem a essa altura chamava de Brigis, a maniaca sexual, que mudou búzios, que me mudou...

Buzios hoje tem muito mais brilho apesar de menos sensualidade, acredido que se Brigis desembarcasse ali hoje sua estátua teria as pernas um pouco mais fechadas.

Como Búzios eu recuperei meu brilho... Meus amigos também, e eu percebi que apesar de ter todo o acesso facilitado por Rodovias perfeitas e cheias de pedágios é importante manter uma única rua de pedra bem no nosso centro, para que a dificuldade de andar torne nossos ligamentos mais fortes... Búzios pode ter menos paquera que teve um dia... Mas tem Modelos semi-nuas divulgando festas, Marinheiros semi-nus carregando placas e aquilo que eu acredito que vá ser a grande aposta do verão.. peças Vintages. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário