domingo, 18 de novembro de 2012

Era uma vez em Búzios...



Em 1964 Brigitte Bardot chegou a Búzios, nada mais que uma Itacaré do Rio de Janeiro, sem energia elétrica, sem glamour, sem lacoste, sem osklen, sem Don Juan, sem Crepes, sem Pacha, sem Privilège e por ultimo mas longe de menos importante, muito sensual... Se recuperando de um pé quebrado, e com outros órgãos ainda quebrados, eu estava praticamente como Búzios antes de Brigitte Bardot, sem energia, sem álcool mas pior, sem sexo.

Minha falta de jeito para movimentar novamente minhas pernas fez com que amigos se empenhassem no trabalho de me levar a Santa Brigitte, quem sabe ela podia fazer comigo o mesmo que fez com Búzios? Meus acessos são bem mais fáceis, com pedágios baratos e ruas, ao que eu sabia, asfaltadas.

Drinks, baladas, passeios e compras, descobri que búzios vende roupas baratas, drinks ótimos e crepes irresistíveis, é impossivel andar por búzios sem pensar em como Brigitte viu aquela Cidade e nos sentimos mais próximos dela. Ao entrar na Rua das Pedras descobrimos que nem todas as vias precisam ser acessíveis, e nem todos os pés, firmes, para mim foi um exercício, para meus dois membros danificados.

É difícil paquerar com algum órgão machucado em uma rua de pedras, não existe nível, logo, se não olhar por onde pisa a dor é tanta que você vai ao chão, é importante levar alguns amigos que amparem uma possível queda, Em princípio acreditava que aquilo não foi uma boa idéia, muitos olhares, muitos buracos e muita, muita falta de preparo físico e emocional da entrada da Rua mais badalada da cidade até a Estátua de Brigitte, que finaliza a vida social de Búzios.

Enquanto isso, minha amiga Nina procurava também pelos seus próprios desníveis, e após várias opções, bonitos, altos, novos, não tão novos, carecas cabeludos e garçons... lá estava ele...

- Aquele cara ali.
- Não faz meu tipo.
- Você precisa de um daqueles...
- Mas ele é Velho...
- Velho não, no máximo... Vintage!

Os tempos mudaram, hoje diferente de 1964 homens de 45 anos estão saindo da purberdade e entrando no mercado dos relacionamentos sérios, vale a pena investir.. as vezes até mais, sem limite de ano de nascimento, o que importa é diferenciar uma peça Vintage do que é só velho mesmo. O Vintage ainda funciona, você acompanha de algo novo e moderno e deixa de ser estranho e passa a ser estiloso. Um Vintage dá uma elevada no visual e, com certeza, valoriza um relacionamento.

Mas não foi só a aparência das pessoas maduras que mudaram em búzios desde 1964, ao chegar na estátua de Brigitte sentei em seu colo, suas pernas estavam tão abertas que pensei como Búzios pode ter ficado tão frio desde que ela passou por lá, nós tivemos uma ligação, estava ela, em bronze, sentada em cima de uma mala, como se tudo que precisasse estivesse ali, e dali ela não precisava se levantar, e nem eu.

Após dias andando pelas Ruas das pedras parece que meu pé recuperou alguns movimentos, doi menos, outras coisas também foram recuperadas, minha intimidade com Brigitte, por exemplo, a quem a essa altura chamava de Brigis, a maniaca sexual, que mudou búzios, que me mudou...

Buzios hoje tem muito mais brilho apesar de menos sensualidade, acredido que se Brigis desembarcasse ali hoje sua estátua teria as pernas um pouco mais fechadas.

Como Búzios eu recuperei meu brilho... Meus amigos também, e eu percebi que apesar de ter todo o acesso facilitado por Rodovias perfeitas e cheias de pedágios é importante manter uma única rua de pedra bem no nosso centro, para que a dificuldade de andar torne nossos ligamentos mais fortes... Búzios pode ter menos paquera que teve um dia... Mas tem Modelos semi-nuas divulgando festas, Marinheiros semi-nus carregando placas e aquilo que eu acredito que vá ser a grande aposta do verão.. peças Vintages. 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Aís e Mas’s... A história de dar algo para alguém que você quer. – ou – A história de como quebrar o coração de alguém.


O que dar para alguém que você quer?  Ouvi uma história, e vale a pena transcrever, ao meu modo, claro. Era uma vez uma mulher que queria muito um homem,  só isto. Mas o querer já não era só isto, e algo precisava ser feito... Eu entendo, é parte da necessidade de fazer algo como ultima tentativa, algo que deixasse claro suas intenções. Acredito que todas as pessoas, independente do sexo passam por isto em um não-relacionamento, a vontade de tentar torna-lo um e nesse jogo vale tudo, nada é baixo demais, ou humilhante o suficiente, o fundo do poço nem sempre é tão escuro, sei porque costumo frequenta-lo com certa habitualidade.

Partir para o tudo ou nada é uma das primeiras opções, reunir os amigos, e juntas as idéias:

- O que eu faço para ele ficar comigo?!
- Dá alguma coisa para ele!
- Mas ele só gosta de ganhar aquilo que pode comer...
- Você já tem sua resposta!

E tinha, partiu dali com frio da expectativa, calor da ansiedade e tremulo da excitação. Geralmente os amigos, a cidade e o sexo estão sempre colaborando para histórias de amor, ela preparou as falas, as músicas e escolheu o lugar, mas esqueceu da roupa e do cabelo, na verdade naquela altura era o que menos importava, a chuva tratou de deixar o mar mais agitado, e os vidros mais embaçados. Precisava dár algo que o fisgasse,  ele seria dela.

Ela gostava de flores, ele, de tudo que podia consumir, ela era jazz, ele não, ela gostaria de receber um buquê, mas ele?! Ele não vê utilidade em rosas, existe um tipo de pessoa, homens e mulheres, que gostam só daquilo que de alguma forma carnal podem aproveitar, talvez estas pessoas querem tanto consumir, que consomem as outras, entre o buque, sexo, bombons e outras coisas... houve a história, que é quase um poema:

- Aí fui pra pedir uma chance...
- Que me escolhesse..
- Me escolhesse pra tentar...
- Que me tentasse ou deixasse que lhe tentasse...
- Agora, hoje, não amanha, de imediato...
- Se mudasse de idéia depois, sem problemas...
- O caminho que isso tomaria, não importa...
- Eu só queria que escolhesse ficar...
- Então me beijou...
- E tentou se justificar..
- Aí começou os mas, mas... mas...
- Eu disse...
- Mas oque?! Você não quer?
- Mais beijos...
- E disse que gostava de mim, que queria ficar comigo...
- mas, mas... mas...
- Aí nao falava nada...
- Aí disse que se odiava por aquilo...
- Aí eu disse se não queria...
- Aí que e tudo está muito confuso ainda...
- Que não sabe...
- Aí me beijou...
- Aí eu empurrei...
- E disse...
- Se não quer...  Não quer...

[meu olho cheio de água...]

- Aí entreguei um bolinho de post it... cada um escrito uma coisa..
- Aí leu..
- Me beijou..
- Aí eu disse, não quer ficar comigo!?
- Não quero ficar com ninguém!
- Tudo bem...
- Que eu, eu ficaria bem...
- Aí fomos embora...
- Aí ficou me olhando e pedindo desculpas...
- Aí nao chorei..
- Aí deixei em casa...
- Mas antes de deixar...
- Parei o carro no meio da rua...
- Aí disse...
- Que fique bem claro uma coisa...
- Você vai embora porque você quer!
- Porque eu te quero muito!
- Independente do quanto vc tenha pra me oferecer!
- Eu quero!
- Não esquece disso!
- Por mim, a gente fica junto!
- Mas nao se preocupa comigo...
- Porque eu te falei o que precisava falar...
- Eu precisava que vc soubesse que eu te quero muito!
- E agora... eu posso ficar bem!
- Aí quando chegou na frente de casa...
- Ficou me olhando...
- E segurando minha mao...
- Eu olhando pro outro lado...
- Pra nao chorar...
- Aí eu disse...
- Tem mais alguma coisa pra falar..?

[Com uma voz calma...  A boca com um meio sorriso constante, para desviar a atenção do olho, que estava cheio de água]

- Aí eu disse.. vc tem mais alguma coisa pra falar?
- Aí fez com a cabeça que não..
- Aí  falei.. vai embora por favor então...
- Aí me pediu desculpas e foi..
- Aí acelerei o carro depressa, até que fosse seguro...
- Aí eu parei e chorei.

A história é repetida... mas é claro que ela acredita que é a exceção, se não, nem iria tentar dar a ele algo que a ela pudesse ligar, mas o fato é que ela não foi por ninguém, nem por ele, foi por ela, para retirar o peso da não tentativa, da derrota pela inércia,  ela precisava tentar, transpor a falta de coragem, e agora espera que ele volte, talvez pelo simples vício de se machucar,  como toda boa leitora de 50 tons de cinza, ela deve querer um pouco de dor... e ele? Ele provavelmente comeu um buque de alface, e vai viver com a não oportunidade ou se arrependerá em tempo...



sábado, 20 de outubro de 2012

Membros de/e Ex's


Terminar um relacionamento antigo deve ser como quebrar uma perna, é doloroso, impede que façamos coisas que estamos acostumados a fazer e pior, sempre que se faz um novo movimento.. dói! Mas não dói de uma forma comum, dói como se você soubesse que aquele membro ainda está ali e é você que não consegue mexer, pelo menos não por enquanto.

É obvio que todo mundo sabe que em algum momento aquela parte do corpo estará novamente enrijecida, mas até lá precisamos nos apoiar em outras coisas, as muletas, uma forma artificial de se apoiar, e se movimentar. Nos primeiros dias é difícil, pois não sabemos exatamente onde encontrar uma, no meu caso muletas caíram de toda parte, algumas foram trazidas pela família, outra por amigos e no fim tenho tenho três, apesar de só ter uma perna engessada.

Tudo é muito parecido,  a ansiedade de estar preso na cama se aproxima bem a vontade de comer o mundo pela falta de alguém, o que me resultou em uma madrugada inteira de bolinhos fritos, única coisa capaz de fazer uma pessoa machucada ficar feliz, até ter uma dor de barriga, óbvio, única coisa capaz de fazer um saci descer três vãos de escada.

Espalhando gesso por toda casa, a cada degrau uma batida, seguida de "ai", "ai", "ai", quanto mais eu descia, mais sentia o quanto de verdade eu tinha me machucado.

Voltando a cama, aos travesseiros e às frituras sinto uma dor latejante , que me faz desejar retirar este membro como se fosse só uma bota, mas ele está ali, bom seria se os relacionamentos saíssem assim de nós, como um sapato, e as dores também, mas não, acredito que precisamos de um tempo para confiar novamente na nossa pisada, para que a dor acabe e sejamos novamente firmes, a cada um é necessário um tempo, a mim o médico estabeleceu 15 dias, mas por enquanto... já consigo voltar a escrever.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

De volta a noite.. Parte II, so dust off your fuck me pumps.

Entre uma e outra explosão, encontrei uma das meninas mais lindas que já conheci, e ela continuava linda, do mesmo jeito, incrivelmente do mesmo jeito, entediantemente do mesmo jeito… O que nem é tão bom assim, todos os bombados estavam em volta dela, ela realmente é o máximo.. mas, quando os 30 se aproximam… os saltos, as gucci's e os vestidos podem não ser o suficiente, so dust off your fuck me pumps.

As pessoas precisam entender que beleza é como um carro do ano… inteligência é como um imóvel antigo com vista... Carros do ano são chiques e significam status, são imponentes e chamam atenção.. mas vista para  o mar.. dura pra sempre!

O problema é que ninguém pensa na vista quando ta bêbado em uma boate!

Mas Dora encontrou outras coisas, ou melhor, outros, no meio da pista, se acabando e considerando justa toda forma de amor, e assim a noite passou, com muitos beijos e poucas promessas, ou seja: zero envolvimento.

Doralice decidira não se envolver ali, não naquela noite, para afastar todos os males e acordar melhor como se a promiscuidade fosse o elixir da alegria, confesso que ali, acreditei que era, mas no dia seguinte….

[telefone…]

- Ta melhor né?

- Não, ainda to um lixo!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

De volta a noite.. Parte I




Antes que esqueçamos de como faz sexo ou outras coisas… Na ultima noite, em nome da ciência [in case - literatura] , I got served a little bit too much of that poison, baby. Last night, I did things I'm not proud of and I got a little crazy, e agora eu nem lembro o meu sobrenome… mas do que se pode lembrar, segue abaixo.

Doralice estava um pouco deprimida, precisava sair, logo.. vamos para a nova boate "do momento", chamada Royal Clube, ela se envolve um pouco demais, e assim como a maioria das pessoas, demora para perceber quando ele não esta mais afim, quando é só uma noite, quando não vai ser um relacionamento… 

E a noite começou na mortalidade.. é incrível como nesta ilha se deixarmos de sair um ano todas as pessoas te esquecem como em um piscar de olhos… De volta as filas imensas das boates, sim, perdemos quase que instantaneamente o livre acesso às entradas vip's (nada que não recuperemos com 2 meses de saídas, mas ser mortal cansa, e embriaga).

A única forma de agüentar uma hora de fila antes do evento é… bebendo.. e assim foi.. pessoas interessantes estavam ali [certo que algumas só passaram por ali, pois não precisavam enfrentar fila] o grupo de garotas recém-solteiras, que vão pegar todos, o grupo de caras bombados prontos para pegar todas, que provavelmente não vão pegar ninguém, os caras barrigudinhos e com dinheiro, que vão pegar todas as "interessantes" que entraram sem enfrentar fila antes da gente, e... nós, os recém re-convertidos a noite! 

Converter-se é mudar de caminho, retornar, voltar ao rumo anterior, sim, este era nosso objetivo, nós temos mais que vinte anos, e temos mais de mil perguntas sem respostas, e provavelmente estamos ligados num futuro blue.

Dora aproveitou os últimos minutos onde caberiam conversas e desabafos e refletiu sobre os envolvimentos, como nós, meros mortais, sempre pulamos de cabeça e acabamos sentando a cara na parede… 

Meia hora mais tarde… Arriba, abajo, al centro y adentro! Uffa, solteiras mais solteiras, gordinhos menos gordinhos, bombados mais bombados,  carentes mais felizes, todo mundo um pouco mais interessante e o ambiente definitivamente mais quente…rs… Arriba, abajo, al centro y adentro! E logo parece que saímos de um clipe de katty Perry… Yes we have fireworks, graças ao Cuervo.

sábado, 4 de junho de 2011

Coito Prolongado - Parte II

Desistindo de ouvir CNN coloquei o cd para tocar.. e ainda pensando sobre a prolongação da manifestação pensei em outra noite, em uma advogada amiga compartilhando aventura…

- Doralice Tartáruga:  Um Advogado que trabalha comigo tá dando em cima de mim, me chamou para ir no cinema no meio do escritório pela internet..
- Eu: Mentira!
- D.T.: Verdade! E eu disse que vou! Nos conhecemos hoje e ele disse que estava encantado comigo..
- Eu: Mentira!
- D.T.: Ele disse me quer trabalhando na sala junto com ele, disse que tinha lugar na mesa dele..
- Eu: Mentira!
- D.T.: Só que ele tem 3 filhos, um de cada mulher, ele deve fazer isso com todas, deve estar querendo o quarto…
- Eu: Verdade! 
- D.T.: Mas eu já disse sim… né?
- Eu: E porque não desmarca?
- D.T.: Claro que não vou! Sou uma mulher de palavra!

Doralice sabe que o Dr. Coelho não é o tipo de homem com quem ela terá um relacionamento sério, mas mesmo assim vai mantê-lo, provavelmente até que pareça outro Encantado, ou que ela fique gravida do quarto rebento.

Prolongamos automaticamente qualquer tipo de relação, boa ou ruim, mas porque insistimos nisso? Não sei, mas é bom viver uma paixão, ainda que ela tenha acabado, a postergamos de várias maneiras, Doralice e minha Personal encontraram a forma delas, as vezes levamos adiante a relação só para tentar viver aquilo que não vivemos ainda, mesmo o caldo não sendo mais tão bom… Com o exercício dos movimentos, acabamos cansando os músculos e perder o momento exato em que deveríamos ter expelido o resultado do prazer.

E esse é o ponto, não perder o momento de gozar aquilo que nos dispomos, a tentativa exaustiva pode chegar ao ponto de o objeto de desejo perder o encanto... Logo, vale a pena tanto esforço quando o meio pode atrapalhar o fim?

Se prolongamos alguma coisa que já expelimos outras vezes é fácil prever o resultado, ainda que postergado, ainda que perdido… Outras coisas não, e deve ser por isso que não sei se amo, ou se já amei, acredito que só vou saber quando chegar no final da vida, se o amor ainda estiver lá, foi para sempre, então conheci o amor… e posterguei o sentimento suficientemente. Acredito no "para sempre", talvez mais que no amor, mas não é porque não encontrei[ou identifiquei], que ele não exista… Funciona com algumas pessoas, com minha avó funcionou…

Independente do assunto, acredito que aproveitar o momento é não segurar os impulsos, independente de longo ou curto.. será bom, ainda que para isso nós tenhamos que suportar um pouco de dor, e na "hora h"  entendemos que algumas coisas tem que durar o tempo exato para ser bom, ainda que seja rápido.. acho que acabamos descobrindo que o que certamente gerará prazer é aquilo que dura para sempre, no meu caso as vezes é uma amizade que torna os pesos da academia mais leve, outras que me arrancam gargalhadas durante as noites, é o que tem pra hoje... Onde eu vou nascendo outra vez, e eu vou me esquecer de tudo, das dores do mundo, não quero saber quem fui mas sim o que sou e vou.. me esquecer de tudo.. todas as dores.. eu só quero saber dos seus, dos nossos amores.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Coito Prolongado - Parte I


Quinta feira, 06:30 horas da manha, Vitórinha está em caus, de acordo com a CNN, manifestantes estudantis fecham o transito das principais avenidas exigindo benefícios que provavelmente não receberão, às 08:40, depois de conseguir avançar 500 m no transito e 02:10 hs no dia, o líder revolucionário, que chamarei carinhosamente de Antonio Conselheiro, se manifesta a imprensa:

A.C.: Nós quer é que seja deferido nossos pleito!  E decidimos prolongar a manifestação durante todo o dia, NÃO LIBERAREMOS AS RUA! [SIC]

[Sim, provavelmente um dos "pleito" deveria ser o estudo aprofundado do plural e concordância na escola dele]   

E ali, escutando aquela declaração oficial, fui forçado colocar um CD, e ficar mais duas horas refletindo sobre a necessidade do ser humano de prolongar coisas que não vão conseguir segurar. Estamos sempre tentando prolongar aquilo que buscamos, o gozo é um exemplo, conheço pessoas que se dedicam ao estudo de sexo tântrico a fim de prolongar a sensação de prazer… mas… será que prolongamos também aquilo que nos causa sofrimento? De fato queremos coisas intermináveis, beijos intermináveis, prazer interminável, relações que durem para sempre… Boas ou ruins, sempre esperamos que elas sobrevivam, e prolongamos elas… sempre…

…enquanto isso, na academia...

Personal: Vamos, você terá que levantar o peso em 3 sessões de 12 movimentos mantendo a cabeça alinhada a coluna.

Eu: tudo bem..

- 1, Acredita que Perseu voltou para a namorada enquanto ficava comigo… [Perseu é um garoto com quem ela iniciara um relacionamento e não investiu muito]
- Ah é? Mas você achava que ele era Ga…
- Abaixa a cabeça… 2, Sim eu achava que ele era gay, ainda acho, mas ele voltar para namorada ainda ficando comigo…
- Você já não queria ficar com ele…
- 3, Mas não esperava que ele terminasse comigo ficando com outra.. pensava que ele estava ficando só comigo..
- Mas você ficava só com ele?
-  Aham…4
- Tá bom…  [com duvida]
- ABAIXA A CABEÇA! 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12. [com raiva]

Ela acredita que Perseu é gay, não quer ficar com ele, mas queria prolongar o relacionamento, pelo menos até encontrar outro relacionamento... ou estabilizar em um dos que tem. O fato é que ninguém quer ficar sozinho, queremos coisas eternas, prazeres eternos, sofrimentos eternos, companhias eternas… Mas as vezes perdemos o momento exato de parar… 

[continua… Eu também gosto de prolongar]

sábado, 14 de maio de 2011

Acordar em cama de solteiro.

Depois de uma certa idade deixamos de fazer certas coisas.. Sexo em cama de solteiro, por exemplo, tomar porres de cerveja e freqüentar festas com entrada franca…  Mas como sou contra qualquer recusa, lá estava eu, em uma festa estranha com gente esquisita… Universidade Federal, não agüento mais birita, quem diria que o campus se transformava a noite em Rave, Boate, centro cultural, era como se a qualquer momento fosse encontrar  Bob Marley e Che andando por ali.

Pessoas de vinte e poucos anos, bem poucos, acredito que quase ninguém ali chegava a ter os vinte anos de verdade… quando, de repente,  ouvi  "'ll tell you what I want, what I really really want, So tell me what you want, what you really really want, I wanna, I wanna, I wanna, I wanna, I wanna really really really wanna zigazig ha. " seguida de um grito...

Cristiane F. - Uhuuuu… essa musica marcou a minha infância!!! 
Eu - Quantos anos ela tem?
Vanessa - 18.
Eu - Precisamos sair daqui. 

Eu precisava sair de perto dela, não sei se por ela estar chapada e chata, ou  por ter um acompanhante emo, ou simplesmente porque me incomodava o fato que em 1993, quando Spice girls invadiram o planeta gritando "I WanaA", ela era só um feto, e eu... dane-se o que eu era em 1993. 

Como se não fosse o suficiente, ainda veio aquele momento "Ta tudo errado na minha vida", e isso aconteceu quando me perguntaram que curso eu fazia, confesso que me  caiu como um elogio, afinal tinha aparência de 2.0, mas eu só consegui responder… nenhum, eu não estudo aqui.

Mas nem tudo foi desastre, nessas festas encontramos pessoas bonitas (no meio de aberrações), pessoas normais, como nós, da nossa idade, alguns que ainda não sabem que tem a nossa idade, outros que também foram experimentar um prazer diferente, como cerveja por R$ 2,50 ou pessoas por muito menos.

Logo, se está na cidade, sem dinheiro, sem vida sexual e sem dançar, não há motivos para ficar em casa, se dirija a Universidade Federal mais próxima. Agora se você, como eu, ganha mais que alguns salários mínimos, já passou da fase de experimentar drogas e sexo inseguro… Vá para Royal, se sentirá melhor ainda que a bebida, o sexo ou as drogas [para aqueles que não conseguiram só experimentar] sejam mais caras .

E a noite se resumiu em cantadas baratas, risadas contínuas, porre de brama e R$ 20,00 bem gastos, algo que não acontecia desde que eu também estava na faculdade, foi bom voltar, mas melhor foi acordar e perceber que eu voltei, fui a festas liberadas, tomei porre de cerveja e acordei aqui, na minha cama de casal.. porque cama de solteiro, não mais.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Confusos(as) Vs. Complicado(as)

Existem vários tipos de pessoas no mundo, até aí tudo bem, o problema acontece no momento em que duas pessoas diferentes decidem dividir o mesmo espaço, se este espaço for a cama, por incrível que pareça pode até ser bom, mas se não for… surge a questão: Sexo bom, interesses opostos.. Funciona?

Entre mulheres e homens encontramos duas diferenças básicas, mulheres nunca dizem sim, homens nunca dizem não. Repare, um homem nunca diz que não está a fim de você, para ele é mais fácil deixar você esperando a ligação no dia  seguinte,a resposta do email confuso que você acabou de enviar, ou dos 30 torpedos que encaminhou avisando do email, e o explicando. Por sua vez, uma mulher, ao invés de dizer que sim, que quer, que adorou, fica o "pós-sexta-feira" inteiro sentada ao lado do telefone esperando um sinal, a resposta do email, ou de um dos milhares torpedos que enviou [claro que homens e mulheres é uma forma de classificar, pois existem homens cheios de não's e mulheres cheias de sim's].

Existem outras diferenças que é comum entre pessoas, eu costumo classifica-las em Caças-Palavras e Palavras-Cruzadas, pessoas Palavras-Cruzadas são confusas, te deixam confusa(o), o que tem ali são somente espaços para que você preencha e no fim você nunca vai ter a certeza que colocou ali a palavra certa, os espaços serão preenchidos com o que você espera que seja,  essas pessoas não dizem não nem sim,  elas deixam lacunas para que você mesmo(a) descubra, essas pessoas são interessantes, tomam bastante do nosso tempo, e geralmente são aqueles que recebem milhares de email e torpedos… pessoas Caças-Palavras são menos intrigantes, mas muito mais divertidas, no começo é tudo muito complicado, você vê várias letras soltas que parecem não fazer o menor sentido, mas basta um pouco de sagacidade, paciência e boa vontade para encontrar as primeiras pistas, e depois que você as vê percebe que tudo sempre esteve ali [como porta bandeira do jogo], e tem certeza do que está escrito, não resta dúvidas ou dívidas, depois de desvendadas descobrem-se muito mais fáceis e leves que as eternas interrogações das palavras cruzadas. 

Claro que obviamente todas as pessoas sem seus "sim's" são totalmente atraídas pelas pessoas que possuem "não's" impronunciáveis… será que os opostos se atraem mesmo então? Acredito que isso possa acontecer na cama, nos primeiros meses, mas e depois? Depois ou se revela aquilo que foi suposto ou estamos fadados a relacionamentos complicados, ou confusos, mas não me perguntem como sair de uma confusão.

Enfim, cada um decide o que pode aguentar [literalmente] pois possuímos no mundo pessoas para todas as línguas e tamanhos, acima de tudo precisa haver o encaixe, mas quando há o encaixe e não existe frequência, sintonia? E sintonia sem T? E sintonia e T sem interesse?

Certas perguntas não possuem resposta… Certo é que há pessoas que dormem na cama com os pés para cabeceira, pessoas que giram na cama a noite inteira, pessoas que comem na cama enquanto outros, detestam comer[ou que outros comam] em suas camas[ou em outras camas]… 

Bom seria se todo mundo viesse com um memorial descritivo, mais ou menos assim: Nome/Sobrenome - Como sorvete na cama, Durmo feito um relógio de ponteiros, me considero um caça-palavras e estou aprendendo a falar os sim's e não's, simultâneamente e bem devagar [tenho queda por "palavras cruzadas" mas prefiro aquelas que quando se vira de cabeça pra baixo encontra-se as respostas].