segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Meu Primeiro Casamento

Acho que só hoje entendi a magia de uma cerimônia de casamento. Pela primeira vez, vi dois homens se casarem, e de fato, nunca entendi a emoção das pessoas durante um casamento, exceto no caso dos meus irmãos, pois significava que sairiam de casa. Pela primeira vez, participei de uma relação em que não me senti constrangido por não entender aquela relação ou por nunca ter feito parte daquilo, por não me encaixar no padrão heteronormativo, por não me ver naquele lugar, ou por fingir ser algo que eu não era. Isso me permitiu apenas sentir a celebração, sem escudos, sem capas, sem máscaras.

A forma como a sociedade nos obriga a esconder e a suprimir nossos sentimentos nos impede de vivenciar tantas coisas que a vida proporciona. Não nos ensinam a sentir nada. E eu? Eu nunca tinha sentido a magia de um casamento! E a sociedade não tem o direito de nos tirar isso. Hoje, eu entendi essa magia, essa sensação. Ninguém precisa dizer nada; existe uma egrégora nas tradições. O amor do casal transborda e circula entre as cadeiras, existe uma dança, um movimento. Era palpável, dava para ver em brilhos, cores e arrepios. É simplesmente emocionante, sagrado, como uma pílula do eterno, um ensinamento sobre o amor.

Hoje, minha concepção do amor mudou. Que pena que não assisti a um casamento livre antes. Aquele garoto que fui teria crescido com outras certezas, outros sonhos, e talvez teria conseguido viver em primeira pessoa, sentindo mais, vivendo mais e chorando menos. Acabo de entender que talvez eu nunca tenha amado, talvez nunca estivesse pronto para amar. O amor é tão simples, tão palpável, tão sentido, que consigo senti-lo, mesmo sem fazer parte disso, tendo conhecido o casal apenas ontem. De repente, toda a magia transborda em todos. Nos votos, eles se enlaçam, e todo sentimento vira água e escorre pelos olhos. Entendo por que toda a ciência trata emoção e sentimento como água, porque o que produzimos no meio do amor... O casamento é um pacto, um pacto de almas.

Os padrinhos tiram algo dos bolsos, acendem, e uma fumaça colorida envolve os noivos. Todo movimento, que aparentemente só eu podia ver, agora é visível por todos, seja pela fumaça, seja pela aliança. Eu choro enquanto toca "If I Ain't Got You". Obrigado, meninos.

   Obrigado meninos. o instagram dos noivos: @joaopmartins @leandromedice

Nota: Leandro Medice faleceu em maio de 2024, esse texto é em sua memória, Lê, de onde estiver, obrigado por dividir seu amor com todos nós, você não passou em branco na vida.

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